São Paulo – Brasília – São Paulo.

Dizem que depois da tempestade vem a bonança, né? Depois de um mês de tempestade, tinha que ser uma bonança bem fodalhona! Então, voltando do Rio, começou a correria pra ir pra Brasília!! Aproveitei o único dia de vida regrada pra resolver minhas coisas em casa, desfazer a mala do Rio, fazer a de Brasília, e resolver coisas na rua com a ajuda da minha irmã, outra vez. À noite, peguei a pimentinha, minha mãe, a Cle, e fomos pro shopping, passear e comprar roupas!

Dia 19 acordei só com tempo de tomar um banho e correr pro aeroporto. Cheguei em Brasília, o Hugo foi me buscar e fomos pra Águas Claras. O Daniel Villas Boas, fofíssimo, foi lá me ver! A Celle chegou e aproveitamos conversar um pco antes do show. Falei com o Vitor Lima, que saiu do palco nervoso depois do open, até ele se acalmar. Um fofo! Chegou minha vez.. uma meia hora de palco que passou voando! Me diverti e as pessoas curtiram demais! Acabou o show, fizemos os agradecimentos, demos os recados e qdo desci do palco, dei de cara com o Daniel e uma mesa de amigos. Bastou um “senta aqui com a gente” e pronto, lá estava eu conhecendo JB, Lulu, Felipe, Regis, Caio e Thiago. Conversamos mto, rimos mto, até que o bar fechou e fomos pro japonês do lado. Mais conversas, mais risadas. A Celle precisava dormir e acabamos indo embora umas 3h, mas combinamos um evento pro dia seguinte.

Dia 20 acordei cedo pq a Celle tinha prova, de lá fui encontrar o Bob no Pier21 pra almoçar. Mais risadas, mais conversas malucas e divertidas! O Bob me levou até a Celle e ela me deixou no Conjunto Nacional, onde encontrei o Hugo e fomos pra casa dele. Ele me deixou lá e foi remar. Eu fui dormir. Acordei a tempo de tomar banho e me arrumar pro evento com os meninos. Conheci tanta gente legal, atenciosa, querida.. Seria impossível lembrar o nome de todos. Além disso, eu precisaria de uma nova gramática pra encontrar palavras e descrever o qto me senti bem recebida, qto fui mimada e cuidada por eles. Depois do show, ganhei mto carinho e uma cesta de chocolate! Fomos pra um bar na beira do lago. Lindo! Claro que o bar fechou antes da nossa vontade de ir embora, então fomos pra outro lugar, um bistrôzinho mto legal, onde vimos o dia amanhecer rindo e combinando o dia seguinte.

Dia 21, mal acordei e já tinha convite pra ir pra um churraco com JB e Lulu, onde conheci o Daniel Narigas, conversamos e rimos mto (só pra variar). Saímos de lá, corremos nos arrumar e partimos encontrar Felipe, Guilherme, Regis e Thiago pra assistir a peça “Tira, codinome Perigo” dos Melhores do Mundo. Não podia passar por Brasília sem dar um beijo e agarrar meus amores: Welder, Pipo, Victor, Jovane, Siri, Adriana, Zizica.. todos! Fui pro churrasco, o combinado era jogar com eles, mas eu estava tão abobalhada que preferi ficar ali, sentadinha na rede, cercada de atenção por todos os lados.

Dia 22 começou bem imendadinho, pq não dormimos! Passei a madrugada toda de rodinha em rodinha, numa alegria interminável. Assim foi a madrugada inteira, até que o dia amanheceu. As pessoas começaram a ir embora, as rodinhas foram diminuindo, as conversas baixando os volumes, e acabei dormindo quase duas horas na rede. Acordei, fui tomar café e me juntei à turminha dos que não dormiram mesmo! Tomei café e fiquei conversando com a Gi.. Chegou a hora da despedida e foi ficando difícil dar tchau.. pro Regis, pro Caio, pro Guilherme, pro Melo, pra Gi, pra Lulu, pro JB, e pro Thiago.. Mesmo sabendo que eu tinha que ir embora, não queria que a hora chegasse! O Felipe foi me levar no aeroporto e embarquei com a alegria maior que minha mochila e minha cesta de chocolate.

Cheguei, minha irmã me buscou e fui dormir (na minha cama, finalmente) grudada com a pimentinha! Agora, imagina se já não consultei todos os sites pra comprar minha passagem de volta pra lá? Saudade 3 minutinhos depois do tchau. Brasília já está nos meus planos de novo, e já em contagem regressiva!

bjo, pessoas!

São Paulo – Rio de Janeiro – São Paulo

Quando me disseram que o tempo cura tudo, meu racional concordou imediatamente. Meu emocional é que ficou teimoso e irredutível por mais de um mês. Foi uma briga feia. Na 5a.feira, dia 14, dei mais um passo torto com uma esperança meio contraditória. Em vão. E teria sido só mais um passo, se os dias que se suguiram não fossem extremamente perfeitos e com amigos tão maravilhosos.. Exatamente como foram!

Dia 15 de madrugada minha irmã me deixou na casa do João Valio, pra ir embora com meu carro depois do show, ele me levou até Congonhas e embarquei pro Rio, encontrei meu amigo Edinho e sua namorada Julia, que me buscaram no aeroporto, me levaram pra conhecer o Museu de Arte Contemporânea, em Niterói (adoro visitar as obras do Niemeyer!). Passamos a tarde rindo e até twitcam fiz com o Edinho! À noite, dividir o palco com o fodalhão Fábio Porchat, que sempre renova minha imensa admiração; com o querido Paulo Carvalho, que sempre me recebe com tanto carinho; com o talentosíssimo Claudio Torres, o melhor mestre de cerimônia do Brasil; e o encantador Fernando Caruso, quecada vez que encontro e converso, gosto ainda mais. Fiquei mto feliz vendo Denise e Leo na plateia da sessão das 21h.. Depois, acreditem, eles foram ver a sessão das 23h tb, além do Edinho e Julia! Até o Edu Jericó apareceu me dar um abraço! Saindo de lá, fomos comer e acabei indo dormir com o dia amanhecendo.

Dia 16, depois de dormir bastante, acordei com a mãe do Edinho colocando a mesa pra eu almoçar! Conversamos bastante, ela, Edinho, Julia, a calopsita e eu! Mas infelizmente o tempo foi curto e já era hora de ir pro show de novo. Na sessão das 21h, quem apareceu me assistir? Silvio Lach e senhora! Ela é linda e mto querida! Ele, pra quem não sabe, é um baita publicitário, talentosíssimo, autor de frases geniais e organizador do Twitter @na_kombi, que já virou livro. Mas o mais importante é que o Silvio é meu amigo! Prova disse é que ele é extremamente caseiro, nunca tinha ido assistir o show (o Comédia em Pé está em cartaz há anos na Barra, onde ele mora!), aí eu convidei e ele foi me ver! Se as pessoas que souberam que ele foi já ficaram espantadas, imagina meu coraçãozinho! Fiquei explodindo de alegria, lógico! Mas aí, não bastasse esse teste cardíado, quem aparece na sessão das 23h?? Ulisses Mattos e esposa! Ela é linda e divertidíssima! Ele, é parceiro do Silvio, tanto na genialidade, como na organização do Twitter e do livro publicado. Nem eu sei como fui acabar conquistando o carinho desses dois, só agradeço a dádiva! Até aí eu até podia lidar bem, mas nessa sessão, também apareceu pra me ver, o Renato Alt. Sim, ele foi. Pra quem me conhece e sabe o qto admiro o Renato há anos, como escritor maravilhoso que é, pode imaginar qto me senti honrada (e nervosa!) com a presença dele na plateia!

Dia 17 começou sem intervalos na verdade, pq saímos do show, fomos jantar e lá pelas 3h a Yara pediu meu táxi pro aeroporto. Embarquei perto das 5h e cheguei em São Paulo 6h. O carro já estava me esperando pra me levar pro Viadulto do Chá, onde estava rolando a Virada Cultural. Quando fui chegando perto, vendo todas aquelas pessoas atentas, rindo, curtindo o show, mal acreditei. Uma estrutura sensacional, som perfeito e o público ali, participando! A produção me recebeu, me levaram pro camarim e lá fiquei rindo com os outros humoristas, que a toda hora saíam e chegavam pras apresentações. O Rodrigo (tb conhecido como Jacaré Banguela) virou horas filmando e fotografando todo o evento! o Felipe, da equipe da produção, até me tirou pra dançar pra espantar o sono! O Arthur (tb conhecido como Coxxa) tb estava virado, e foi pro camarim me dar carinho e apoio sonífero-psicológico. O show foi fantástico, as pessoas curtiram, nós curtimos, e saí de lá correndo pra casa do Arthur, onde tive 40minutos pra uma soneca. Ele, tadinho, desmaiou! Saí na ponta dos pés pra ele não acordar e voltei pra outra sessão, que foi ainda melhor, mais lotada e emocionante! Saí do palco realmente emocionada, com lagriminhas nos olhos! Participar disso foi uma honra mto grande! Minha irmã foi me buscar e vim no carro em profundo estado de coma, mal conseguia interagir. Acabei não conseguindo abrir o show do Paulinho Serra em Sorocaba, passei mal de sono e acabei me jogando da cama da minha mãe, lá na casa dela.

E como eu sempre digo:  “O Rio de Janeiro continua lindo..
..mas alguma coisa acontece no meu coração..”

bjo, pessoas!

O anúncio.

O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:  “Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Será que o senhor poderia redigir o anúncio para o jornal?”

Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu: ” Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda”.

Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.. “Nem penso mais nisso, disse o homem, quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha!”

Às vezes não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longe atrás de miragens e falsos tesouros.

Superman ficou fraco.

Mesmo sem Pinguim, ou sem kriptonita, todo mundo precisa de amigos nessa vida. Mas nos últimos dias meus amigos revelaram suas verdadeiras identidades de super heróis! Foram tantas demonstrações de amizade, de cumplicidade, de carinho gratuito e incondicional, que a mim, não restou outra opção senão recolher meus caquinhos e voltar a sorrir pra vida! Foram momentos ruins, dolorosos e que, sozinha, eu achava que não conseguiria atravessar.. mas com a ajuda pontual e incansável desse batalhão da alegria, ir adiante se tornou algo possível. Por isso hoje, estou aqui pra agradecer:

Os Super-Nelson, Super-Lucas, Super-Edinho, Super-Drix e a Marcelle-Maravilha; pelas mil horas que passaram ao telefone comigo, muitas vezes só me ouvindo chorar, me dando conselhos (muitas vezes incompatíveis uns com os outros, diga-se!) e até pelas broncas, doídas, mas necessárias.

Os Super-João e Mya-Maraviha, que me acolheram em suas casas, me ouviram, me mostraram vídeos engraçados, me apresentaram outras pessoas engraçadas, dividiram comigo incontáveis mesas de bar e estiveram ali do lado até pra não falar nada.

Os Super-Bob, Super-Maradona, Super-Fábio, Super-Lucas, Super-Duduh e Caronella-Maravilha, pelas DMs tão carinhosas e pelas noites engraçadíssimas no MSN, cheias de desabafos, confissões, cretinices, teorias malucas e supostas perguntas que jamais serão publicadas.

O Super-Welder, que me abraçou até quase me quebrar no meio (literalmente), que me mostrou links suspeitos numa noite definitiva, que me xingou, me xingou mais, e depois me abraçou de novo, me levou pro bar, pra outro bar, pro samba e me abraçou de novo.

Os Super-Rominho, que tocou músicas incríveis no violão enqto eu cantava e me fez lembrar como é bom cantar; o Super-Vilela que dividiu minha dor com ele e a dele comigo, me fazendo lembrar como é bom ter alguém com quem dividir as coisas; e o Super-Nando que me acalmou, dançou comigo a noite inteira e me fez lembrar como é bom cair no samba e dançar com alguém.

Os Super-Oscar e Super-Pipo, que me ouviram e me estenderam a mão só pra estar ali, sem conselhos, sem broncas.. só ouvindo e me fazendo ver o quanto sou especial – e sortuda! – por ter os amigos que tenho nessa vida. As Micheli-Maravilha e Carol-Maravilha, que me acolheram e me permitiram xingar o mundo, rir do mundo, chorar e rir de novo; e o Super-Robson, que me ensinou que o hambúrguer de frango tem gosto de picanha e que mesmo sem falar mto, me acolhe com o olhar de amigo.

O Super-Renan, que me dá broncas de afilhado e me enche de carinho e de elogios; o Super-Filipe, que me surpreende, me faz rir sempre e me lembra que os homens mudam, apesar de demorar mais do que devem; e o Super-Arthur, tb conhecido como Coxxa, que me impede de esquecer, por um segundo que seja, todas as qualidades que é possível encontrar em mim. A Mariana-Maravilha, minha amiga de longa data que, mesmo correndo com os preparativos do seu casamento, arruma tempo pra se preocupar comigo e me cercar de carinho.

Além dos Super-Nil, Tati-Maravilha, Super-Romano, Deeercy-Maravilha e tantos outros Super-Homens e tantas outras Mulheres-Maravilha que me deram seu abraço de longe! Não dá pra esquecer essas coisas, jamais.. Vcs são anjos, são meu porto-seguro e me emprestaram a alegria de vcs todos esses dias, pra que eu continuasse sorrindo.

Claro que não posso deixar de citar as Clê-de-Ferro e Mamãe-Elástica, que estiveram do meu lado, cada uma com suas habilidades, com uma janta especial, um doce, me confortando e fortalecendo, perguntando ou desviando o assunto, evidenciando ou me ajudando a esquecer.

E sobretudo, além do bem e do mal, a capitã-mor da liga da justiça, com o poder de me fazer ter orgulho de mim mesma, de me fazer o melhor cafuné do mundo, de segurar minha mão pra dormir, de dividir diariamente minhas conquistas, minhas risadas e minhas frustrações como se fosse gente grande.. Aliás, como se EU fosse gente grande, pq ela já nasceu pronta, meu amuleto da sorte, minha princesa, minha pimentinha, Mariana.

A todos vocês – ou melhor, a cada um de vocês, especificamente – meu mto obrigada! E que esse agradecimento não signifique que vcs estão livres de mim.. Ainda preciso e vou precisar sempre de cada abraço, cada risada, cada música, cada mesa de bar.. Foi só uma maneira que encontrei de dizer que hoje, só sou forte, pq tenho a força de todos vcs comigo! E que eu estou e estarei aqui pra vcs, sempre.

 

Bjo, pessoas!

Nada passa.

(post absolutamente sincero, em pleno dia da mentira.)

Esse texto não é meu, é da Stella Florence e é bem antigo. Encontrei há mto tempo, li e guardei no coração. Mas meu mote agora é limpeza.. limpeza de pensamentos, de sentimentos, de imagens e de coisas que atraem uma dor que não quero mais pra mim. É preciso uma coragem sobrehumana pra abrir mão de uma parte de vc mesmo, e seguir adiante. A gente parece que não fica inteiro, nunca mais. Nos últimos dias (como tenho revirado todas as gavetas e prateleiras do coração) encontrei a lembrança desse texto caída na fresta dos meus esquecimentos. Aí está ele, pra quem tiver paciência de ler. Aqui estou eu, pra quem tiver paciência tb.

Onze da noite. Toca o telefone. É uma amiga, arrasada depois de um encontro que deveria ter sido bom.

– O que aconteceu?

– Ele parecia uma pedra de gelo, Stella.

– Ah, querida, não fica assim: você é linda! E vai superar esse babaca, você sabe que vai passar.

Depois de uma hora desligamos. Vesti meias de lã. Tomei um copo de chá. Devolvi os livros para a estante. Guardei a roupa passada. Fiquei assim, indo de um canto para outro sem saber exatamente o que me atormentava. Então, a ficha caiu. É mentira. A maior mentira que nos contaram – e que nós, piamente, acreditamos – é essa, a de que tudo passa. Nada passa. Passa coisa nenhuma.

A gente aprende a viver com as escaras, aprende a colocar ungüentos nos talhos fundos, conhece outras pessoas que são como bálsamos sobre as nossas feridas, mas elas, as sanguinolentas, as danadas, as malsãs, elas não passam. Uma mulher é uma chaga sempre aberta. Um homem é uma ferida sempre exposta. Nada passa.

Sentimentos? Eles se transformam em outros sentimentos, mas não passam. As pessoas que você amou, nunca te causarão indiferença (indiferença, o oposto do amor), sua única certeza é que você sempre vai sentir algo quando as encontrar – algo bom ou ruim, muito bom ou muito ruim. As pessoas que te menosprezaram, te usaram ou simplesmente te rejeitaram, continuam, cada qual com sua adaga, perfurando seu amor-próprio, dia após dia, umas mais, outras menos.

Somos todos, homens e mulheres, mestres no fingimento, na dissimulação, no recalque, mas a verdade, meus caros e minhas caras, a verdade é que nada passa. Por isso você vê uma mulher histérica ao pegar uma cebola podre no supermercado, por isso você vê o homem agindo como um primata no trânsito, por isso seu chefe estoura sem razão, por isso você teve uma crise de choro durante aquele filme, por isso as pessoas têm chiliques inexplicáveis: porque nada passa e nós precisamos de válvulas de escape.

Um colega da oitava série, chamado Fernando, olhou para mim em novembro de 82, e disse: ‘Nossa, como você é gorda’. A ferida continua aberta. Peguei um namorado transando com outra na área de serviço. Eu não disse nada, apenas dei marcha ré ouvindo o eco dos seus beijos pelos azulejos sem cor. A ferida continua aberta.

Dias atrás – exatamente dezessete de setembro -, eu, pela primeira vez em trinta e oito anos de vida, consegui gozar transando com um homem. Fiquei radiante: eu nunca havia alcançado o orgasmo durante a penetração, nem sabia o que era isso! Além do mais, ele me pareceu uma pessoa absolutamente adorável, do tipo que eu gostaria de encontrar muitas outras vezes. Mas ele não me procurou – ou escreveu – nem mesmo para dizer ‘não’. Não é uma palavra bonita, mais bonita do que silêncio. A ferida continua aberta.

Fica sempre um pouco de tudo, escreveu Drummond, às vezes um botão, às vezes um rato. Se você me vir tendo um chilique ao pegar uma cebola podre no supermercado, já sabe o que é: são as cócegas malditas dos meus malditos ratos. Porque nada, nada passa.

bjo, pessoas.

Eu já.

Você já assistiu alguém em quem você estava interessado ficando com outra pessoa na sua frente? Já resolveu tentar mesmo assim num outro dia? Já fez convite pra não correr o risco de vocês se perderem? Já fez outro convite? Já virou uma noite inteira sem dormir, e na outra voltou pra ficar sem dormir de novo, só pra encontrar essa pessoa outra vez? Já voltou pra casa de manhã depois de levar essa pessoa em casa, dirigindo 150km com sono, parando no meio do caminho pra fechar os olhos por cinco minutos, mesmo que não houvesse ninguém acordado pra perguntar se você chegou bem? Você já convidou alguém que você mal conhecia pra ficar na sua casa, dormir e acordar com você, partilhar da sua vida, viajar com você? Você já teve medo de se entregar para um novo relacionamento, pediu paciência, e ouviu de resposta que essa pessoa queria cuidar de você e ia mostrar que podia confiar nela? Você já gastou o que não tinha, só pra ofecer um carinho qualquer pra essa pessoa? Já comprou presentes sem motivo, já planejou, sonhou e teve que abrir mão? Você já empregou seu tempo em algo que não era importante pra você, mas era importante pra essa pessoa? Já passou horas pensando em saídas pra problemas que não eram seus, só pra ver uma ruga a menos na testa desse alguém? Já arquitetou soluções estratégicas, lógicas, emocionais, institucionais, legais, comerciais, financeiras,  empresariais.. pra situações que de nada tinham a ver com você? Já colocou alguém em todo e cada pedacinho da sua vida? Você já pegou uma pessoa pela mão e apresentou pra todos os seus amigos de uma vida inteira, pros amigos novos, pra sua família, seus conhecidos e fez com que essa pessoa estivesse presente mesmo onde não estava, de tanto que você falava nela com carinho? Você já se evolveu em projetos que não eram seus, em responsabilidades que não eram suas, só pra sentir que ajudou essa pessoa? Você já ouviu palavras que mal parecem terem saído da mesma boca que dizia querer cuidar de você? Já esperou um carinho que nunca vem? Já pediu socorro pra essa pessoa pra te ajudar a recuperar o que havia há tão pouco tempo? Você já resolveu insistir e fazer sua parte até o limite do possível? Já fez um pouco do impossível por alguém? Já se entregou e esperou pacientemente que a outra pessoa percebesse que, entre tudo, além de tudo, apesar de tudo era você que estava ali? E que essa pessoa soubesse que, se não restasse mais nada, você continuaria ali também? Já soube o que é a dor dessa pessoa não ver? Ou fingir que não viu? Você já foi forte o bastante pra insistir mesmo assim? Já engoliu o orgulho e resolveu oferecer seu amor e esperar que viesse amor em troca? Você já quis defender essa pessoa das maldades reais e virtuais? Já sentiu seu coração disparar quando viu essa pessoa em perigo e ficou sem viver direito até encontrar essa pessoa e poder dar um abraço? Você já mobilizou outras pessoas em nome do seu amor por essa pessoa? Você já abriu mão da recompensa financeira pelo seu trabalho em algum lugar, só pra empregar esse dinheiro e levar aquela pessoa pra esse lugar com você? Você já pediu desculpa por perder a cabeça mesmo quando essa pessoa parece nem ligar pro que há em seu coração? Já sentiu falta dessa pessoa num dos dias mais difíceis que já teve? Já ponderou que estava sempre disponível pra essa pessoa e não tinha um porto-seguro pra onde correr de volta? Você já matou saudade da pessoa que tá do teu lado com mensagens que ela te mandou há meses? Já pediu um abraço? E pediu de novo? E mais uma vez até ouvir que tantos pedidos são ruins? Já ouviu que o carinho que você sente falta, pode vir, ou não, e se você não aceitar que seja dessa maneira, é melhor procurar outra pessoa? Você já se trancou no banheiro do trabalho e chorou até alguém te arrancar de lá? Já chorou sem conseguir parar? Você já ouviu de todos os seus amigos e de todos os amigos em comum, que você fez tudo o que podia por essa pessoa e pediu pouco demais em troca? E você já pensou que sua dor pode ser tão indiferente pra essa pessoa quanto você parecia ser? Já pensou que aquela pessoa pode não dar importância pro que te fere, como você sempre deu ao que a atingia? Já enfrentou uma guera interna entre seu amor-próprio e seu amor por essa pessoa? Você já esperou no fundo do seu coração que essa pessoa sentisse sua falta a ponto de perceber tudo isso? Já desejou que o eco das broncas dos amigos iluminasse as atitudes dessa pessoa? Já quis acreditar que alguma coisa, de alguma forma, vai mostrar pra essa pessoa que ser inflexível nunca levou ninguém a lugar nenhum? Já esperou que essa pessoa não quisesse ficar longe de você e entendesse que mudar faz parte da vida? Você já desejou em cada segundo do seu dia que essa pessoa enxergasse que nós crescemos, amadurecemos e muitas vezes cedemos às necessidades do outro por amor?

Eu já.

 

where the street have no name.

“Perdi alguma coisa que me era essencial, e já não é mais. Não me é necessária. Como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar, mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta. Era ela que fazia de mim uma coisa encontável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar”.

C.L.

 

“Did I ask too much, more than a lot?
You gave me nothing, now it’s all I got.”
(U2-One)
bjo, pessoas!

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