Dumba.

Em 1992, uma tia contou que a veterinária da Dafne (a Cocker dela) tinha encontrado uma cachorrinha e estava procurando um lar pra ela. Fomos buscá-la. A veterinária tinha apelidado a cachorrinha de Dumba, porque, apesar de vira-lata, ela tinha uma orelhona! Ela era preta, com as extremidades das patinhas brancas e uma mancha branca no peito. Dumba foi minha grande companheira! Passava horas sentada no quintal com ela no meu colo. Ela me esperava chegar da escola com o focinho enfiado num buraco do portão. Um dia, saímos pra uma festa junina no bairro e Dumba ficou sozinha. Assustada com os fogos – sabe-se lá Deus como – ela fugiu. Quando chegamos em casa e ela não estava, saímos desesperados a procura dela. Andamos pelas ruas próximas, meu pai foi de carro com meu irmão procurar em ruas mais distantes e nada. Voltamos pra casa todos tristes, eu só chorava. Minha mãe tentava me consolar, mas nada me animava. Horas depois, escutamos um barulho no portão e saímos correndo.. Era ela! Minha Dumba tinha voltado, sozinha! Toda cheia de mato grudado no pelos, toda suja e me olhando com aqueles olhinhos que até hoje me fazem chorar, enquanto escrevo este texto. Ainda não sabíamos, mas em alguns meses ela daria a luz oito filhotinhos! No momento do parto eu estava lá com ela, e era a única que ela aceitava por perto sem avançar. Acontece que meus pais estavam se separando. Infelizmente tivemos que morar na casa da minha vó por alguns meses e não pudemos levá-la. Uma amiga da minha mãe se ofereceu pra ficar com ela e também cuidar dos filhotinhos. Eu era uma criança, não podia decidir. Nunca me perdoei de uma culpa que não tive. Até hoje isso me dói. Uma dor física mesmo. Parece cortar meu coração. Uma parte de mim foi embora com ela naquele dia. Sobrou em mim um colo vazio. Dumba teve todo o meu amor pra ela, e rezo pra que ela tenha tido uma vida alegre! Que tenha conseguido me perdoar e que tenha encontrado ainda mais amor naquela família. Torço pra que seu coração tenha sido preenchido de carinho, que ela tenha encontrado muitas crianças pra brincar, muitas bolinhas pra morder e muitos chinelos pra destruir. Desejo profundamente que ela tenha me esquecido, pra não sofrer a saudade que eu sofri. A saudade que carrego comigo e jamais vai me deixar, pq eu, bem.. eu nunca a esqueço! Dumba foi meu primeiro amor, minha melhor amiga! E eu sou grata por ela ter feito parte da minha vida e ter dividido comigo sua alegria, sua cumplicidade. É claro que ela já não está neste mundo, mas, onde quer que ela esteja, lá tb está meu coração. Lá tb está a criança que fui. E onde quer que eu esteja, ela está comigo. E vai estar. Pra sempre.

Desde que tive que me separar da Dumba, nunca mais tinha me apaixonado por nenhum cachorro. Minha mãe sempre teve um ou dois em casa, eu gostava, claro, brincava, mas era uma relação de carinho como tenho com outros cachorros, de amigos. Até que um dia, eu estava na escola onde trabalhava, e na hora do intervalo aproveitei pra ligar pra uma amiga. Fui até lá fora onde o barulho das crianças não atrapalhasse, e estava conversando quando, de repente, um serzinho invadiu a escola passando por um quadradinho de sete ou oito centímetros entre as grades do portão. Tão pequeno, que dava medo de pegar. Claramente assustado. Desliguei o telefone, peguei o bichinho, levei pra sala dos professores, arrumei uma caixa, peguei uma colher e dei leite pra ele. A essa altura, na verdade, já tinha visto que não era ele, era ela. Uma menina, loirinha, que ficou ali dormindo, alimentada, esperando a aula acabar pra ir pra casa comigo. Kika foi morar com a minha mãe. Ela quebrou todos os meus bloqueios amorosos desde a Dumba. Kika foi responsável por derreter meu coração! Ela me fez voltar a sentar no chão por horas, a correr no quintal atrás de uma bolinha e sentir saudade. Kika é meu segundo amor! Ano passado ela ficou doente e eu fiquei apavorada.. Graças a Deus ela se recuperou, e está linda e loira, literalmente! Não quero nem imaginar nossa vida sem ela, sem aquela peralta que pula desesperada quando vamos visitá-la, que fica pedindo carinho se esfregando no meu pé e me lambe na cara quando estou distraída. Tenho pavor de pensar que um dia ela vai embora, é um dos grandes medos do meu coração. Kika é um raio de luz na nossa vida! Me dá alegria, me dá paz e me faz sentir essa coisa louca de amor.

Há um mês, abri uma foto no twitter e me apaixonei.. naquele dia Bruce e Mel entraram em nossas vidas e já me fazem pensar se estão bem, se comeram, se estão com sede. São dádivas em nossas vidas, já são parte da família e já os amamos muito! Eles estão doentinhos, estão em tratamento e nossa luta é uma contagem regressiva contra a duração da atividade do vírus da cinomose. Eles estão reagindo, estão lutando junto com a gente e com muitos remédios e muito, muito carinho, eles estão vencendo essa guerra injusta. Me apavoro só de pensar que Bruce pode perder a visão, que Mel pode ter dificuldade de respirar ou ficar com alguma sequela, pois são nossos filhotes, e queremos vê-los cheios de vida, correndo e brincando. Estou preocupada, adiando viagens e fazendo tudo que está ao alcance para que eles se sintam amados, seguros e fortes! E eles vão conseguir! Bruce é nosso galã, todo lindo e brincalhão, corajoso e companheiro, anda pela casa atrás de mim feito uma sombra. Mel é nossa princesa, e como toda princesa, tem lá seus caprichos.. É braba, pouco sociável, e só aceita carinho quando quer. São meus novos amores, e meu momento preferido do dia é qdo estamos, os cinco, no sofá vendo tv. Sinto uma paz enorme e quase divina, com eles dormindo no meu colo.

Aliás, no colo da Dumba.

 

“Eu me dei conta de que cada vez que um de meus cachorros parte, ele leva um pedaço de meu coração com ele. Cada vez que um cachorro entra na minha vida, ele me abençoa com um pedaço de seu coração. Se eu tiver uma vida bem longa, com sorte, todas as partes do meu coração serão de cachorro, então me tornarei tão generoso e cheio de amor como eles.”

bjo, pessoas!

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5 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Giovana Duarte
    out 04, 2012 @ 18:57:12

    Em lágrimas, Criss. Amor lindo, puro e despretensioso! Sem exigir nada em troca… amor de verdade

    Resposta

  2. Carla
    out 04, 2012 @ 20:51:12

    Murri junto… Senti como se fosse comigo e como vivemos mais que eles, a gente vai ficando e eles partindo… Partindo os nossos corações que se enchem de amor e gratidão por poderem fazer parte da nossa vida.
    Ai Cris, a gente é capaz de morrer por eles, né? Lindo o texto e obrigada por lembrar de mim… Escolhemos quem queremos por perto, e vc é uma dessas pessoas que quero sempre, sempre feliz e dentro do meu coração.

    Bjs
    É uma honra poder ter vc como amiga! ;D

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  3. fulviacorrea
    dez 29, 2012 @ 19:55:38

    Estou aos prantos aq! Faço um trabalho de proteção e queria saber se posso usar seu texto. Bjo

    Resposta

  4. Carol Montojos
    jan 31, 2013 @ 09:10:03

    Entendo perfeitamente tudo o que escreveu. Já tive uma cachorrinha quando tinha oito anos de idade que fugiu. Mas não tive a mesma sorte que você, infelizmente! Depois, no final daquele ano, ganhei um outro e vivi com ele por nove anos. Ele morreu com problemas no coração. Já tive outra, tive também que deixar para outra pessoa cuidar, não por escolha minha. Enfim, entendo todos esses sentimentos que escreveu, partilho tudo. Amos meus bichinhos, fiquei louca quando uma ficou doente também. Só torço para que estejam saudáveis agora!
    Bjss :*

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  5. Giovana Duarte
    jun 05, 2014 @ 12:50:50

    Comentando de novo, dois anos depois, por motivos de: me emocionei de novo. Vc é a melhor mãe de cachorros do mundo!!!

    Resposta

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