irracionalizando.

Não importa o tamanho do sentimento; se for unilateral, é inútil. Não adianta gostar 500% de alguém, e esse alguém gostar 5%. Nem adianta gostar 5% de quem gosta 500% da gente. O bom é equilibrar tudo; respeito, admiração, cumplicidade, carinho. tudo. O ideal é o meio termo, a metade idêntica. Esse 50% exato é uma das coisas mais difíceis – e mais necessárias – da vida. Reconhecer no outro a nossa própria via de mão-dupla. Poder ser quem a gente é e ter a certeza de ser aceito assim. Muitas pessoas próximas conhecem de nós o que permitimos mostrar. O difícil é aquela pessoa que conhece além, que já constatou os defeitos entre as qualidades e resolveu ficar. É lógico que esse “50% exato” é só uma metáfora, provavelmente equivocada, sobre o que quero dizer. Porque na verdade a matemática do sentimento faz bem menos sentido. Num dia estamos magoados, no outro nos permitimos ceder mais. Num dia nos perguntamos “o que estou fazendo aqui?” e no outro já queremos saber “por que não estou lá?”. A beleza de tudo está em saber completar o outro. Como? Não sei. Cada um precisa ser abraçado de um jeito. A magia é conhecer o jeito certo de falar, de olhar, de ouvir. Não podemos nos moldar metade de alguém, porque fica falho, fica falso e não funciona. A metade se reconhece na outra por afinidade plena e inexplicável. Um imã que acaba aproximando duas pessoas sem que elas sequer percebam. Algo meio Maktub, Serendipity, ou como queira chamar. Mas isso é filme de sessão da tarde, e estamos falando de vida real. Ah, vida real… Aí existem complicações. Uma delas é que o ser humano é um amontoado de medos e inseguranças. Julgamos a ventura futura pelo sofrimento passado. E continuamos caminhando sozinhos.

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3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Bahh
    maio 25, 2010 @ 20:31:53

    Mas é a vida real né, e é tão difícil essas coisas de Maktub, 50% e blá blá blás que a gente acaba quase sempre ficando meio aos trancos e barrancos e deixando estar. Mas penso que às vezes é melhor ficar assim mesmo do que estar sempre perdendo o tempo esperando achar a receita metade-metade perfeita. Pode dar certo, ou não.
    Beijo

    Responder

  2. Fabio FD
    maio 27, 2010 @ 19:59:30

    Oi Criss linda!
    Então quando é você que da o amor desproporcionalmente maior do que recebe a culpa é sua? Interessante, a vida não é simples como gostaríamos, mas ela pode ser sempre melhor do que é.
    Amei seu texto, beijo no coração!

    Responder

  3. Carolina Montojos
    set 17, 2010 @ 08:28:37

    Oii, Cris!
    Eu aqui com minha insônia que você já percebeu, estou lendo mais alguns textos de seu blog. E continuo achando muuitoo interessante!
    Acho interessante que, numa fase onde todos fazem graça de tudo o tempo todo, uma comediante profissional escreva textos tão sérios e intensos… não que seja ruim fazer graça, mas acho que as pessoas querem tanto fugir de seus problemas que se obrigam a serem felizes o tempo todo e a rir toda hora. É uma falsa alegria! E o legal é ser de verdade! Tem hora de rir, hora de ser engraçado, hora de falar sério… não sei, é o que penso!
    E esse texto tem muito a ver com o que ando pensando agora. Acho que qualquer tipo de relação é uma troca. E se não há troca, acaba sendo desgastante para um lado e cansativo para outro. Qualquer tipo de relação, não só a amorosa: amigos, irmãos, pais e filhos, professores e alunos, admiradores e admirados… por menor que seja relação.
    Bjinhuuss =***

    Responder

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