carta pra Celle.

Não é sempre que me permito falar sobre mim. A não ser com amigos próximos (mesmo que ‘próximo’ não esteja diretamente ligado à geografia da palavra..) com quem já troquei milhares de cartas – com pca possibilidade de isso ser uma hipérbole. Acontece que tenho passado mto tempo sem enviar notícias escritas a não ser por breves – e sempre insufucientes – mensagens no celular. Por isso hoje, escrevi uma carta pra Celle! E o bom foi que, no final, acabou sendo uma carta pra mim mesma, um momento de introspecção que quero dividir com vcs agora:

Se eu fosse fazer um top10 dos meus problemas nesse minuto, o topo seria do meu sono! Estou sem dormir direito há dias e, qdo durmo o suficiente pra uma noite, parece que ainda fica faltando. Não consigo me organizar no relógio biológico. Segundo; lidar com essa vida maluca, que eu gosto, que é legal.. e que ao mesmo tempo me assusta demais. Nem tudo são flores no show business e cada dia mais tenho certeza que ‘a ignorância é uma virtude’. Às vezes tenho vontade de mandar todo mundo pra um lugar pco agradável e voltar pra minha vida pacata de ver o sol nascer no parque.
Acontece que não dá. Isso tudo me trouxe tb mta coisa boa,  como conhecer certas pessoas que têm sido bálsamos nas minhas inquietações. Além disso, chegar nos lugares e ser recebida com sorrisos e abraços sinceros, rir a  noite toda a respeito de nada, me faz ter força pra lidar com a parte menos agradável da história; o cansaço, o desânimo, a falta de grana pra certas coisas que preciso ou quero fazer. E sobretudo o fato de estar sozinha.
Foi uma longa a cansativa emenda de retalhos que vc assistiu, e que me deixou exausta de antemão pra qualquer remota possibilidade de sentir (e, por sentir, entenda-se amor, paixão, interesse, encantamento ou o que quer que seja) alguma coisa por alguém. Outro dia me flagrei em calafrios ao chegar num lugar e encontrar alguém. Minha respiração mudou e as pernas trêmulas não obedeceram minha vontade de sair correndo dali, pra sempre! Talvez porque, genuinamente, meu desejo não era correr em direção oposta. E tive medo. Medo, raiva, preocupação.. tudo! Só consegui olhar pra Mya e dizer “não quero isso pra mim”. Não quero ter de lidar com sentimentos unilaterais de novo.
Passei tanto tempo acreditando que deveria ser sempre madura o bastante pra lidar com meus sentimentos, pra viver o que fosse possível e sofrer o que fosse necessário. Hoje, parece que maturidade maior é assumir minha fragilidade, minha incapacidade de lutar contra meus sentimentos e dar um passo (ou dois, ou três..) atrás, e não sair andando, cantarolando pra vida, pra depois descobrir que fui parar longe demais e – pior – sozinha.
Na 5a.série três garotos gostavam de mim. Na 6a.série outros três. Na 7a. eram dois.. Sempre fui amiga, sempre estive perto, convivendo com os meninos. E amiga vai perdendo a graça qdo os garotos vão crecendo. Os homens preferem as menininhas. Aquelas, inclusive, que na época da escola eles odiavam e chamavam de frescas e metidas, pq não brincavam com eles. Talvez eu tenha esquecido de crescer. Talvez eu ainda espere alguém que me mande um bilhete num pedaço de papel, escrito “quer namorar comigo?”
Um dia, me disseram que a vida de adulto era difícil pq tinham que trabalhar, pagar contas, lidar com responsabilidades. Mas ninguém me contou sobre como é difícil lidar com nossos próprios sentimentos. Me esconderam a pior parte.

 

bjo, pessoas!

Anúncios

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Malu Paixão
    mar 23, 2010 @ 23:54:06

    Nossa Cris… eu infelizmente tenho que concordar! rss. É exatamente isso.
    Mto legal essa sua reflexão. Eu as vezes chego em alguns blogs por acaso e o texto me cai como uma luva, foi o caso deste.
    desde 2004 eu coloquei na minha cabeça que eu iria sair de Taubaté pra estudar teatro. Passei anos esperando e a idéia que eu tinha era que só então eu seria finalmente feliz. Estou há um mês aqui em São Paulo, e confesso que nas primeiras semanas eu olhava isso tudo aqui da minha janela e pensava: “Mas que merda! Eu não vivi direito minha vidinha pacata junto da minha família pra ser feliz aqui, e agora que alcancei meu objetivo já estou sentindo falta da simplicidade do interior… dos cafés da tarde com meus avós, dos passeios com a minha mãe…” Juro que fiquei com muito medo de ter me arrependido em tão pouco tempo. Agora estou me acostumando aos poucos. Sinto muita falta de companhia, o que antes eu não ligava nem um pouco.
    E, como vc mesma disse, existem coisas que a gente não imagina que vão nos atrapalhar tanto no futuro, no meu caso, a solidão. Foi a única parte em que eu totalmente ignorei durante toda minha infância.
    Eu não sei na verdade o que é maturidade… enfim, como eu tive que escolher algo para o meu futuro… ta aí. Escolhi deixar as pessoas que eu amo pra correr atrás de um sonho por aqui, e encarar as consequências. Deve ter sido mais ou menos isso que vc fez, não sei.
    O fato é que eu seria infeliz lá, estou triste aqui… e como todo ser-humano: eternamente insatisfeita rss. Mas com o tempo espero que as coisas melhorem.
    Muito legal esse seu post. Sinta-se a vontade para falar de seus sentimentos, pq tenho certeza de q todos q entram aqui e lêem até o final estão interessados somente no seu bem-estar.
    Me desculpe o comentário-desabafo rss. Ficou enorme. E acredite se quiser: cheguei a chorar escrevendo tudo isso.
    As vezes eu me empolgo! kkk
    Boa semana pra vc!
    Grande beijo!

    Responder

  2. Mari
    mar 24, 2010 @ 17:58:44

    Oi Criss… nossa, me deixou com o coração apertado e os olhos cheios de lágrimas. Eu eu me enxerguei total no seu texto. Serviu pra mim. E se eu tivesse escrito, talvez não fosse tão real.

    Acho que tentamos inutilmente nos convencer que uma vida profissional estável, amigos pra trocar abraços, uma agenda cheia, viagens aqui e ali são suficientes pra nos trazer felicidade. Lutamos com todas nossas força pra isso. E qdo conseguimos, vimos que não estamos nem perto daquele sentimento gostoso de “ser feliz, jogando bafo, deitado na quadra da escola”, trocando beijinhos na saída da escola.

    E nem que eu esteja RODEADA de amigos… meu coração tbém tá incompleto. Incompleto talvez de amigos como eu gostaria que fossem. Que tivesse pra mim, o tempo que talvez nem eu tenha pra eles. Amigos que me colocassem no colo e não me exigissem qq explicação… uma boa companhia. Uma companhia capaz de fazer minhas pernas tremerem sem me deixar apavorada qdo eu me desse conta disso. Uma paixão, um amor, um cara qq, que me fizesse feliz, sem fazer minha cabeça apitar um “em qual momento vc vai se ferrar dessa vez?”…. Um cara que não olhasse pra mim e dissesse: “nós somos de mundos muito diferentes, isso não vai dar certo” – antes mesmo de qq coisa começar!!!! Ou senão: eu amo vc, mas tô de casamento marcado pra daqui 1 mês e não tem como voltar atrás… aff!

    Pois é. Consola saber que não estou sozinha. Consola saber que até o mais engraçado dos palhaços, qdo chega em casa e se vê sozinho, tbém chora. Sei lá que mundo é esse!? As vezes penso até que ponto vale a pena não se deixar levar por umas loucuras, mesmo que elas te rendam algum sofrimento no final…. se até os caminhos mais estáveis, hj em dia, têm terminado com sofrimento.

    Na boa eu nem sei pra onde ir. Tô deixando as coisas acontecerem pra ver como será… e elas não têm acontecido.

    Um super beijo
    Foi um presente de Deus conhecer vc. Vc se tornou super querida. Ah! Depois te passo uma formulinha natural pra dormir.

    Mari.

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: