apesar de.

tô longe de casa. tô cansada pela correria dos últimos dias. tô com saudade dos meus amigos malucos que resolvem comer sushi 6h da manhã. tô com vontade de escrever mto, escrever até descobrir pq eu quero escrever. tô sentindo um cansaço que ultrapassa o físico. e talvez eu devesse parar aqui e poupar todos vcs (seja lá qtos sejam vcs) que irão ler isso. mas vou continuar. e peço desculpa desde já pelas pelavras que vou dizer.. que na verdade eu não sei ainda quais são, mas tô me desculpando mesmo assim. não estou divertidinha e vou entender se vc parar de ler agora e me deixar aqui. pode fechar a janela se quiser.. vou continuar falando sozinha.

“não sou sempre triste assim.. é que estou cansada” (C.L.)

odeio perder as rédeas. sempre fui mto dona de mim. aos quinze anos já pagava minhas contas e dinheiro que viesse da mão da minha mãe ou do meu pai, era emprestado. não pq eles determinassem, mas pq eu preferia assim. saí de casa cedo e aprendi na porrada como funciona a equação água+luz+telefone x salário. sou desorganizada, teimosa, obstinada, impulsiva e sozinha. não sozinha no sentido triste e penalizante, mas sozinha no sentido de que acabo botando as garras de fora e lutando por mim mesma. nunca precisei de ninguém pra resolver minhas coisas. convivo bem com meus minotauros. e, no mais, tenho um lado maternal aguçadíssimo e generalizado que me faz querer tomar conta do mundo. (esqueço que nem sempre o mundo quer ser tomado conta..)

“minha força está na solidão” (C.L.)

às vezes eu queria deixar de ser eu só um pouquinho. um pouquinho só depois eu voltava, juro! é que cansa. só isso. cansa e eu imagino como deve ser divertido ser menininha. ser cuidada, paparicada, mimada. às vezes queria esquecer que sou briguenta.. esquecer que sou, como diz meu amigo Nil Agra: “um macho de buceta” e deixar que alguém tome conta de mim. quem? não vem ao caso. é só uma vontade genuína de ser acalentada. mas sou moleque, não tenho paciência, não sei esperar, não sei deixar de arregaçar as mangas e lutar. e, entendam: lutar, às vezes, tb pode significar desistir. em certos momentos da nossa vida é preciso reconhecer a insuficiência das nossas armas e entender que não vale a pena tanto desgaste numa luta vã.

“até desistir é uma escolha” (C.L.)

não gosto do termo desistir. mas aprendi que desistir nem sempre é uma fraqueza. mtas vezes, por mais estranho que possa parecer, requer até mais força! pq qdo lutamos com um propósito, sonhamos e idealizamos a vitória, não é só nossa força que estamos negando ao desistir, mas nossos ideais meritórios e sinceros. abdicar de nossas utopias imaginadas e desejadas no instante do pré-sono é mto, mto mais difícil do que parecer fraco diante do desafio. outra questão é que, por mais calejado que estejamos, nunca dói menos. e é por isso que tenho segurado minhas rédeas com toda força que me é possível. embora não tenha sido suficiente..

“estou tão assustada que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém me está dando a mão” (C.L.)

então nem sempre consigo. até pq às vezes – de tão cansada que estou – me permito entregá-las pra alguém que eu (por ingenuidade, por inocência, por irracionalidade ou por burrice mesmo) julguei ter boas mãos pra comandá-las. mais um problema! pq as mãos nem sempre correspondem.. pode ser que estas mãos sejam realmente boas mas estejam desatentas demais pra tomar conta do que quer que seja, pode ser que as rédeas deem um trabalho maior do que as mãos gostariam de ter.. pode ser que as rédeas nem deem trabalho algum mas as mãos simplesmente não queiram e pode ser, de repente, que as mãos não consigam segurar sequer as próprias rédeas.

“preciso de tua mão, não para que eu não tenha medo, mas para que tu não tenhas medo” (C.L.)

então eu digo a vcs: não podemos culpar as mãos que deixaram as rédeas perdidas por aí. e tb não podemos nos culpar por entregar as rédeas (e confiança e esperança e carinho e preocupação e etc e etc) pq às vezes, como é meu caso agora, estamos tão cansados que não aguentamos mais com nós mesmos. o desencontro simplesmente acontece, de uma maneira que mtas vezes foge da nossa vontade, do nosso entendimento.. mas então chega a hora triste de recolher os caquinhos. nunca é fácil, nunca é bom, nunca é divertido. mas é necessário. e eu já tô tão habituada a recolher cacos que eles, qdo me veem chegando, devem dizer entre si “lá vem ela de novo..”

“verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo” (C.L.)

sou briguenta, impulsiva, determinada.. sim, sou. e não preciso (nem quero) que tomem conta de mim. não preciso que ninguém mate meus leões. sei que dou conta das minhas batalhas diárias. enfrento o mundo, mas tenho medo de não ter alguém segurando minha mão. eu continuaria forte, decidida, obstinada, enfrentando todos os leões com a garra que sempre tive, simplesmente sabendo que minhas rédeas estariam em boas mãos. e é isso. obrigada pra quem leu tudo. eu avisei que seria um texto longo, chato, bobo.. eu avisei. não sei ainda pq escrevi tudo isso, mas já que escrevi, vou publicar. enfim, tudo isso só pra dizer que sei bem do que sou capaz. conheço bem minha força e minha fraqueza. mas às vezes só queria alguém pra segurar minha mão e dizer “relaxa garota, tô aqui”.


“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente.” (Clarice Lispector)

bjo, pessoas!

Anúncios

7 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Fernando Lago
    nov 02, 2009 @ 05:30:03

    É, tá grande mesmo! Tinha razão!

    Como passa de duas da manhã na Bahia, vou deixar pra passar aqui depois com mais calma, mas gostei do blog! A interface, pelo menos, é boa! Vamos ver os textos amanhã!

    Parabens!

    Abrass

    (Fernando Lago)

    Responder

  2. Cinthia Ribeiro
    nov 02, 2009 @ 05:46:41

    Amei seu texto!A vida as vezes cansa e não viver num conto de fadas nos permite ser humanos errantes porém sempre em busca do melhor,caminhando no sentido da felicidade.Nem sempre chegamos nela com facilidade,erramos de direção,encontramos percalços no caminho mas quando,enfim,a gente chega em um lugar legal,com pessoas bacanas,vê-se que valeu muito apenas.É Criss,concordo com suas palavras…A vida não é nada fácil+é linda,encantadora e porque não dizer uma linda e maravilhosa ILUSÃO!!!Beijos Criss e nos dê sempre a oportunidade de passar por aqui e encontrar palavras simples,sinceras e verdadeiras!

    Responder

  3. Pitty Pellizer
    nov 02, 2009 @ 05:55:57

    E daí que você me peritiu? Eu li tudo, apesar de. Tem mil coisas rodando agora na minha cabeça, inclusive todas as semelhanças que tenho contigo e, a mais engraçada de todas, A DE DEIXAR AS RÉDEAS NAS MÃOS IMPRÓPRIAS (no meu caso, nas minhas mesmo, mas em horas indevidas, confira isto nos comments do post anterior que era pra ser deste) enfim, não é uma boa hora para filosofar a respeito, mas sei bem como é precisar de uma mão de apoio e o orgulho/independência/autosuficiência não permitir. Amanhã penso à respeito e comento com melhor concordância.
    FUI! (agora sim, PRO BERÇO)

    Responder

  4. Eu
    nov 02, 2009 @ 07:30:26

    “Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.” Clarice Lispector

    Responder

  5. Tay
    nov 02, 2009 @ 12:25:18

    texto muito, muito bom.
    e me fez perceber o porque de eu não conseguir largar algo que já não da mais certo,
    porque (como você disse) desistir de algo que era um sonho é bem mais difícil.
    parabéns pelo texto!
    na internet e no twitter sempre vai ter gente pra escutar você falando, escrevendo e te apoiando

    Responder

  6. Malu Paixão
    nov 02, 2009 @ 16:52:46

    Olha cris.. é esse seu excesso de personalidade que mais nos encanta.
    além de escrever maravilhosamente bem, seu texto foi cheio de sentimentos e verdades, e se li até o fim foi esse o principal motivo, mas sinceramente… não consigo imaginar a ‘cris briguenta e impulsiva’; para mim vc é mais uma pessoa iluminada e com características exclusivas! Continue escrevendo moça.. já favoritei o blog, parabens pelo texto! bjão.

    Responder

  7. Larissa
    nov 28, 2009 @ 14:17:45

    Caramba!!! Que texto lindo!!!!
    Acho q a maioria de nós, mulheres, nos identificamos com ele….
    Obrigada por traduzir em palavras aquilo que sentimos….
    Bjo

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: